IDOSOS QUE SE EXERCITAM COM FREQUENCIA DIMINUEM AS CHANCES DE TER PROBLEMAS DE LOCOMOÇAO

Exercícios melhoram capacidade física em 18%, diz pesquisa.
Compositor Francis Hime é adepto das caminhadas: "Gostaria de viver 100 anos, mas, claro em boas condições. Hoje isso é possível"

Aos 74 anos, o músico Francis Hime costuma caminhar em ritmo compassado, pelo menos três vezes por semana, pelo calçadão que liga o Arpoador a Ipanema, na Zona Sul do Rio. O ritmo é tão frenético que torna quase uma “disparada” o exercício do parceiro de Vinicius, Chico Buarque e tantos bambas da nossa música

- Não posso parar, vamos conversando. Ficar parado, para mim, é ruim. Componho caminhando - conta Hime, que afirma saber na pele a importância do movimento na conquista de um envelhecimento mais saudável: - Gostaria de viver 100 anos, mas, claro, em condições boas, e não vegetando. Hoje isso é possível.

O músico, mesmo sem saber ao certo, segue à risca as pistas apresentadas por uma das mais abrangentes pesquisas já publicadas sobre a relação entre exercício e mobilidade nos anos avançados da vida. O estudo, publicado ontem pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, comprova que a atividade física mantida pelos idosos ajuda ativamente a melhorar a disposição e a mobilidade e, ainda, evita deficiências físicas.

A pesquisa demonstrou que idosos que mantêm exercícios moderados tiveram 18% a mais de capacidade de se deslocar, mesmo que em trechos curtos, do que os idosos que não se exercitaram. Segundo o coordenador da pesquisa, Marco Pahor, a intenção principal do estudo foi fornecer uma “evidência definitiva” de que hábitos como uma simples caminhada diária podem nos proporcionar mais independência nos anos finais de vida. No que toca às chances de desenvolver deficiências, elas caem 28% quando há atividades.

O porteiro José Nicolau, de 61 anos, também está de olho em um envelhecimento saudável. Duas a três vezes por semana, faz alongamento e caminhada leve “para esticar as pernas”. Mal sabe que o hábito que adotou há dois anos, por influência do filho professor de Educação Física, é a receita ideal para se manter firme. Principalmente no caso dele, em que a atividade profissional é altamente sedentária:

- A gente tem que ter um pouco de cuidado. Meu filho me diz que é muito importante andar.

A empresária e amazona Dica Martins, 60 anos, medalhista em salto de obstáculos, acaba de trocar o Rio Grande do Sul pelo Rio e mantém o exercício como prática habitual. Caminha, faz musculação em academias de praças e adotou o stand up paddle, além de continuar a saltar a cavalo.

- Não tenho uma dor de cabeça sequer. O salto é um exercício completo. A vida toda me exercito - diz.

Exemplos como o da empresária multiatleta são raros. Mas a geriatra Juliana Vigiani explica que os benefícios mostrados pela pesquisa americana estão ao alcance da maioria, desde que haja disposição.

- Não é preciso ter sido um superatleta a vida inteira. Basta se exercitar na medida que a saúde permite. Os benefícios surgirão, com a ocorrência de bem-estar, melhora do sono, diminuição do risco de quedas e, por consequência, um bom incremento na mobilidade - ela descreve.

http://oglobo.globo.com/sociedade/idosos-que-se-exercitam-com-frequencia-diminuem-as-chances-de-ter-problemas-de-locomocao-12624210
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