DESENVOLVEDORA DE 90 ANOS CRIA SOLUÇOES PARA A TERCEIRA IDADE

Barbara Beskind oferece aos jovens do Vale do Silício uma perspectiva diferente sobre os produtos
Idade avançada de Barbara Beskind oferece diferente perspectiva
para os jovens do Vale do Silício
O Vale do Silício é conhecido pela valorização da juventude, com dezenas de histórias de jovens empreendedores com ideias mirabolantes que alcançaram o sucesso em pouco tempo.
Nesse contexto, Barbara Beskind, de 90 anos, parece destoar dos colegas de trabalho no escritório da IDEO — empresa de design conhecida por ter desenvolvido o primeiro mouse para a Apple —, mas ela usa a idade avançada a seu favor.

— Todo mundo que envelhece tem que resolver os seus próprios problemas — contou Barbara. — As pessoas da minha vizinhança caem muito. Para um amigo, eu tentei desenvolver air bags que seriam ativados com movimentos bruscos de 15 graus.

O projeto ainda não está terminado, mas não foi abandonado, falta apenas descobrir uma fonte de energia para a ativação dos air bags. A história de Barbara foi contada pela Rádio Pública Nacional nos EUA. O interesse pelo desenvolvimento de produtos, lembrou ela, começou na infância, quando tinha apenas 8 anos.

— Bem, durante a Depressão, você não podia comprar brinquedos, você tinha que fazê-los — disse Barbara sobre o seu primeiro projeto, um cavalo de madeira. — Eu estava determinada a ter um, então eu fiz com pneus usados. Eu aprendi muito sobre gravidade, porque caí muito.

Quando estava para ingressar na faculdade, Barbara dizia querer ser inventora, mas isso requeria o ingresso no curso de engenharia. Como esse campo de estudos era proibido para mulheres, ela foi desestimulada e acabou cursando Economia Doméstica, para depois ingressar no Exército, onde exerceu o cargo de terapeuta ocupacional.

Após 44 anos nas Forças Armadas, ela se aposentou como major e começou a atuar como designer de produtos no mercado privado. Antes de se aposentar novamente, foi autora de seis patentes de dispositivos infláveis para ajudar crianças com problemas de equilíbrio.

Há dois anos, enquanto assistia a um programa de TV, ela viu David Kelley, fundador da IDEO, falando sobre a importância de se ter uma equipe de design diversificada, para analisar um projeto sob diferentes perspectivas.

— Era para mim. E eu morava no Vale do Silício, o que poderia ser melhor? — disse Barbara.

Ela escreveu um e-mail para a companhia e recebeu a resposta positiva em poucos dias. A IDEO também estava interessada em profissionais com mais idade para atender ao crescente público de idosos da geração do Baby Boom.

Gretchen Addi, responsável pela contratação de Barbara, diz que com ela no time, os jovens designer pensam de forma diferente. Como exemplo, citou um óculos que a empresa está desenvolvendo em parceria com uma companhia japonesa para substituir as lentes bifocais. A ideia é que com um gesto com as mãos, o óculos mude de característica para ver de perto ou de longe. No início, os designers queriam colocar uma pequena bateria no produto, mas Barbara lembrou que os dedos dos idosos não são tão hábeis.

— Isso realmente fez com que a equipe refletisse — disse Gretchen. — Talvez seja melhor apenas uma conexão USB. Existem formas para fazer isso diferente?

Barbara também trabalha num projeto que pode ajudá-la. Por causa da idade avançada, ela sobre de degeneração macular e possui apenas a visão periférica. Ela está desenvolvendo um óculos. Entre as funções, ele faz o reconhecimento facial de pessoas conhecidas e avisa, por fone de ouvido, quem está se aproximando.
http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/desenvolvedora-de-90-anos-cria-solucoes-para-terceira-idade-15249416
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