MÉDICOS ORIENTAM COMO AGIR QUANDO A DOENÇA DE ALZHEIMER É DETECTADA


Em uma pesquisa realizada em Caeté (MG), parentes de mais de 80% das pessoas que apresentaram os primeiros sinais achavam que esquecimentos eram da idade. Ao todo, 52% dos que estão bem de saúde são casados.

É hora de acordar. O amanhecer chega rápido e logo clareia a cidade. E o tempo que contamos em horas, dias, datas especiais, ainda é pouco para contar tudo que vivemos, tudo que se passa dentro de nós, do nosso cérebro.

Viver muito e com a cabeça boa, lúcido: esse é um horizonte cada vez mais possível. Foi o que pesquisadores comprovaram em um estudo chamado "Pietá", na Serra da Piedade, na região central de Minas Gerais. A cidade laboratório permitiu enxergar os segredos desse longo caminho, que muita gente já está trilhando com sucesso.

O estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) acompanhou durante três anos pessoas com mais de 75 anos, para avaliar o envelhecimento do cérebro. “Um terço delas estão muito bem do ponto de vista psiquiátrico. Então, são pessoas que têm autonomia, têm a capacidade de decidir a própria vida, de gerir a própria vida”, declara a médica geriatra Maira Tonidandel Barbosa, da UFMG.

Mas quais são os fatores ambientais e genéticos que podem ajudar no envelhecimento saudável do cérebro? É o que vamos aprender com as pessoas que vivem nessa cidade.

Chegamos a Caeté no dia da festa da padroeira da cidade, nossa Senhora do Bonsucesso. O dia começou bem cedo. Às 6h, os fiéis já estavam na igreja. É um dia muito importante, e Argemiro Pinheiro, de 82 anos, é o maestro da banda que vai tocar na procissão. Os ensaios acontecem, religiosamente, duas vezes por semana.

Aos 82 anos, Argemiro tem uma saúde de ferro. “É mais ou menos igual a carro. Se você largar o carro parado ali, depois daí um tempo, vai ficar cheio de problema. A gente, a mesma coisa. Se ficar quieto, a gente enferruja”, aposta.

No quintal de casa, Argemiro tem uma oficina. O carro é de 1929, o ano em que Argemiro nasceu, só que o carro está parado na oficina, e o dono firme e forte, consertando o carro.

Argemiro não para e não desiste nunca. “O segredo do meu pai é trabalho”, aposta Astréia Pinheiro, filha do Sr. Argemiro.

Mas o que fazer quando o cérebro não acompanha o ritmo de quem já tem mais de 70, 80 anos de idade? Os voluntários que apresentaram sinais de perda de memória mais intensa foram orientados a procurarem um médico.

Quando a Doença de Alzheimer é detectada, fazer o quê? “Mesmo quando há um diagnóstico, muito ainda há que ser feito por essa pessoa. Ela vai precisar de uma supervisão, vai precisar de uma companhia. Naturalmente o desespero agrava qualquer situação dentro da saúde. Então, é ter calma e procurar orientações”, afirma a médica geriatra Maira Tonidandel Barbosa, da UFMG.

Nem sempre é fácil identificar a doença no início. Os parentes de mais de 80% das pessoas, que apresentaram os primeiros sinais, achavam que os esquecimentos eram mesmo da idade e que não haveria o que fazer.

Um teste com 10 perguntas pode ajudar você a descobrir como vão os idosos da sua família. São questões para saber se são capazes de manusear o próprio dinheiro, os próprios remédios e se conseguem sair e encontrar o caminho de volta para casa.

Antes do estudo Pietá, Renato Camargo, de 84 anos, não imaginava que os esquecimentos poderiam ser um sinal de alerta. Ele está fazendo tratamento no Hospital das Clínicas em Belo Horizonte há dois anos. A esposa dele, Elisa Fernandes Camargo, de 77 anos, afirma que a saúde do marido melhorou bastante. “Ele já não pergunta todo dia em que semana estamos, em que dia que estamos, em que mês que estamos”, conta.

O quintal é um mundo à parte, campo fértil para as memórias do Renato. Renato cresceu em uma fazenda e adora cuidar das plantas. Ele e Dona Elisa estão sempre juntos.

“Ele me ajuda muito”, diz a esposa. “Ela arruma tanta tarefa”, revela Renato. “Eu limpo a cozinha. Ele seca”, revela Dona Elisa.

E lá se vão 53 anos de casados. Tanto companheirismo também é neuroprotetor. Segundo a pesquisa, 52% dos que estão bem de saúde são casados. “Eu gostava tanto dele, era apaixonada mesmo. Eu achava ele lindo. A única coisa que eu nunca gostei, nem no namoro, nem no noivado, era o jogo de bola”, diz Dona Elisa.

Renato torce para o São Paulo. E quem diria, o futebol está ajudando no tratamento dele. Para treinar o cérebro, ele anota os resultados dos campeonatos em uma agenda.

Quando o neurologista Paulo Caramelli, de UFMG, reuniu os voluntários para mostrar os resultados da pesquisa, lá estavam Renato, Elisa, Argemiro, e todos aproveitaram para ouvir as dicas e conselhos para manter o cérebro em forma.

“Jogos de cartas, outros jogos que você tiver em sua casa, leitura, tocar instrumentos musicais, participar de atividades de música, atividades sociais, da Igreja. Não precisa ser tudo, mas quanto mais variada essa atividade mental, melhor é para estimular uma quantidade maior de células nervosas de neurônios dentro do cérebro”, aponta o médico. “Além de ter uma alimentação saudável, use o seu corpo. Caminhe, faça ginástica, dance”.

Ouvir a música, se lembrar dos passos, do ritmo, botar o cérebro para requebrar. “A dança trabalha a memória, a circulação, respiração, flexibilidade e musculatura, além da questão da depressão, porque o idoso fica muitas vezes em isolamento social. Com a dança, ele vem para cá, conhece um, conhece outro, faz amizade, vai interagindo com as pessoas e formando um vinculo afetivo”, diz a assistente social Maria Ângela Dutra Ornellas.

Dança e música: Ilca Reis, de 87 anos, não perde um ensaio da banda. “A banda é minha companheira”, aposta.

Ela e a vizinhança do barulho são a alegria da rua. E Dona Ilca adora uma prosa. “Não gosto de ficar sozinha. Gosto muito de conversar.A memória está ótima”, declara.

A noite chega, hora de sair a procissão. E lá vai Argemiro. A procissão, nas ruas de Caeté, em Minas Gerais, é um ato de fé. O que a maioria não sabe, nem imagina, é que mantendo essa tradição cada um está cuidando da saúde do cérebro.

“A religiosidade pode estar relacionada com um sistema que a gente chama de sistema de recompensa do cérebro, que é um sistema de ativação, de liberação de catecolaminas, de substâncias do prazer, como, por exemplo, endorfinas, serotoninas. Então, são substâncias que podem estar relacionadas a uma neuroproteção”, a médica geriatra Maira Tonidandel Barbosa, da UFMG.

http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2010/10/medicos-orientam-como-agir-quando-doenca-de-alzheimer-e-detectada.html 

 

 

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