OS BILHÕES DA MELHOR IDADE

De olho na renda de mais de R$ 400 bilhões dos brasileiros acima de 60 anos, as empresas lançam produtos e serviços voltados para esse abonado público

Cerca de quatro mil pessoas, a maioria acima dos 60 anos, lotaram o ginásio do tradicional clube Juventus, na Mooca, bairro de classe média da zona Leste da capital paulista, no final do ano passado. Na ocasião, a Prevent Senior, gestora de planos de saúde especializada em idosos, promoveu um show do cantor Jerry Adriani, ídolo da Jovem Guarda na década de 1960. O evento foi considerado um sucesso. A gestora, fundada em 1997, sempre apostou nesse público, pouco atrativo para grande parte dos planos de saúde, que consideram os velhinhos muito custosos, por conta dos problemas de saúde naturais da idade. Com um faturamento de R$ 1,1 bilhão, em 2014, a Prevent Senior hoje colhe os frutos da decisão. “Não considero que temos um custo alto com os adultos maduros”, afirma Teresa Cristina Campos, diretora institucional da operadora, que não gosta de termos como terceira idade ou melhor idade. “Buscamos a prevenção. O tratamento só passa a ser caro se negligenciamos os cuidados com a saúde.” O planos da empresa, que custam até R$ 673 por mês, atendem 300 mil clientes.

A população acima dos 60 anos é um mercado ainda pouco explorado. Segundo uma pesquisa realizada pelo instituto Data Popular, com dados do IBGE, a renda dos idosos brasileiros ultrapassa os R$ 450 bilhões anuais. Para completar, o Brasil está envelhecendo. Em 2013, 22 milhões brasileiros eram idosos, equivalente a 11% da população. Já em 2053, serão 69 milhões de veteranos, ou 30,7% da população. “O Brasil está em um processo de envelhecimento mais acelerado do que os outros países”, afirma Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil e um dos principais especialistas do tema no mundo. “Esse aumento impacta as nossas vidas e não estamos preparados para isso.”

Nem mesmo as empresas, segundo Kalache, têm visto o potencial desse público. Por isso, as que já identificaram os idosos como clientes em potencial, se destacam em um cenário de pouca visibilidade. A Prevent Senior é uma delas. Enquanto as empresas do setor sofrem com a inflação médica, reclamações recordes e até mesmo falências, como foi visto no caso da Unimed Paulistana, a Prevent Senior só tem melhorado seu desempenho financeiro. A empresa, segundo a diretora Cristina, se considera um sistema de saúde, não apenas um local aonde os idosos vão se tratar. “Queremos que as pessoas vivam mais e com mais qualidade”, diz Cristina. Exatamente por isso, oficinas de artes, shows com cantores de outras épocas, como o próprio Jerry Adriani e o “eterno cigano” Sidney Magal, são comuns para os associados. O dinheiro, no entanto, não vai apenas para esse tipo de projeto. Para atender a demanda de clientes, que tem crescido a 20% ao ano, a companhia vem aumentando a sua estrutura hospitalar. Atualmente, são 27 obras em andamento, sendo a maior delas para a construção de mais um hospital da rede Sancta Maggiore, no valor de R$ 25 milhões. A unidade se somará aos oito hospitais, 25 centros de diagnósticos e às diversas instituições parceiras da companhia.

O apetite pelo tesouro da senioridade também chamou a atenção de gestoras de recursos. De acordo com o Data Popular, apenas 7% dos idosos brasileiros são de baixa renda. O fundo de private equity Pátria Investimentos, por exemplo, separou US$ 150 milhões para a criação de uma rede de residenciais de longa permanência para idosos, a Cora Residencial Senior. As mensalidades, que começam em R$ 4 mil, são destinadas ao público mais abonado. “E os idosos de classes mais baixas também são potenciais consumidores, pois podem ter filhos em melhores condições financeiras”, diz Ricardo Soares, CEO da Brasil Senior Living (BSL), que é o braço do Pátria nesse negócio. “O brasileiro sente falta desse tipo de serviço, que possui demanda enorme em países como os Estados Unidos.” A intenção da BSL é abrir 30 unidades nos próximos três anos, sendo que a primeira delas foi inaugurada em São Paulo, há dois meses. O local é totalmente equipado para receber idosos em graus maiores de dependência. As mesas e as cadeiras foram especialmente pensadas para esse público, as poltronas são impermeáveis, além de contar com diversos serviços como salas de terapia ocupacional, fisioterapia, cuidadoras e nutricionistas, que atendem cada cliente individualmente. Caso tenham ocupação máxima, cada unidade da Cora pode render até R$ 5 milhões em receita.

À PROCURA DE ATENÇÃO Segundo dados do SPC Brasil, 45% dos idosos enfrentam dificuldades em encontrar produtos destinados às suas necessidades. De olho nesse mercado, algumas empresas começam a criar facilidades. É o caso da mineira DL, fabricante de eletrônicos. Ela acaba de lançar um celular totalmente voltado aos idosos, com a função apenas de ligação e com o diferencial de ter botões maiores. Com apenas os dois modelos, que podem chegar a R$ 199, a empresa pretende alcançar vendas de R$ 60 milhões no último trimestre do ano. “Vamos colocar 300 mil unidades no mercado”, diz Francisco Hagmeyer, diretor comercial da DL. “Será um ótimo presente de Natal.”

Alguns gigantes internacionais também estão prestando atenção no potencial desse mercado. A farmacêutica Pfizer, dona de um faturamento global de US$ 49,6 bilhões, lançou, no fim do ano passado, a versão sênior de seu multivitamínico, o Centrum Select. Em menos de 12 meses, o novo produto passou a representar 25% do faturamento nesse segmento, que é estimado em R$ 130 milhões. Além disso, as vacinas preventivas para adultos e idosos, que já movimentam cerca de R$ 700 milhões no País, também entraram no radar da gigante farmacêutica. “Os idosos estão se tratando mais para viver melhor e isso é uma grande oportunidade para nós”, afirma Marco Ferrazoli, diretor da unidade de vacinas da Pfizer. A multinacional sueca SCA também investe no Brasil. Dona da marca Tena, líder global de fraldas geriátricas, a companhia anunciou um aporte de R$ 242 milhões em uma nova fábrica na cidade de Jarinu (SP). A intenção da subsidiária brasileira da SCA, que alcançou R$ 175 milhões em vendas no ano passado, é consolidar a sua liderança também no País. “O Brasil já o nosso mercado mais importante na América Latina e tem condições de ficar entre os dez maiores”, diz Gustavo Vega, presidente da SCA no País.

Quem sempre buscou entender e dar atenção a esse público é o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma. “Seu Sidney”, como é conhecido, construiu uma varejista farmacêutica de R$ 700 milhões de receita com pouquíssimas lojas, mas focada nas vendas por telefone e internet. A fórmula que utilizou para conquistar a clientela foi o tratamento humanizado, uma demanda sempre presente dos mais velhos. O seu contato com os clientes é diário em suas unidades e em programas populares da televisão. Os entregadores dos remédios, muitas vezes, são esperados com bolos pelos compradores, a maioria da terceira idade, e até prestam serviços simples, como troca de lâmpadas. Os velhinhos gostam tanto de Oliveira a ponto de pedir para tirar fotos sempre que o encontram, como se fosse um ídolo. “Peço para os meus funcionários tratarem os clientes como se fossem parentes e ofereço preços baixos”, diz Oliveira. “Esse é o meu diferencial.”

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