PARTICIPAÇAO DE IDOSOS NA POPULAÇAO DEVE DOBRAR ATÉ 2050


Conforme projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgada em relatório no início deste mês, em comemoração ao Dia Internacional do Idoso (1º), a participação de pessoas com mais de 60 anos de idade na população brasileira deve mais que dobrar até 2050, passando dos atuais 12,5% para 30%. Se seguir a perspectiva nacional, Uberlândia poderá ter, em 2050, mais de 388 mil idosos (mais da metade da população atual), cenário que exigirá, entre outros fatores, ampliação dos serviços de saúde e dos equipamentos sociais.


Segundo dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Uberlândia tinha, naquele ano, 61,6 mil idosos, o que representava 10,2% da população. No Brasil, também em 2010, eram 19,6 milhões de pessoas idosas, representando também 10,02% da população nacional daquela ocasião. Atualmente, conforme a OMS, mais de 24,3 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais no País e, se for aplicada a mesma proporção (12,5%) na população local, Uberlândia conta, hoje, com 82,7 mil pessoas nesta faixa etária.

O relatório da OMS aponta ainda que, apesar do aumento da expectativa de vida do brasileiro, que hoje é de 75 anos e que justifica a alteração da pirâmide etária no País, apenas 65 anos são vividos em plena saúde. Também não há, conforme o documento, evidências de que os anos a mais de vida sejam desfrutados com melhor saúde do que no caso das gerações anteriores na mesma idade.

Para lidar com o envelhecimento da população, a OMS destaca quatro áreas-chave de ação a serem desenvolvidas pela sociedade, que são alinhar os sistemas de saúde com as necessidades das populações mais velhas, desenvolver sistemas para a prestação de cuidados de longo prazo, garantir que todos possam envelhecer em ambientes amigáveis e melhorar a compreensão das pessoas sobre a velhice.
Em Uberlândia, algumas ações do poder público estão alinhadas com as demandas que o envelhecimento da população apresenta. Alguns exemplos são o Condomínio do Idoso, o Centro de Permanência Dia e programas de saúde com foco na população de mais de 60 anos.

6 mil idosos têm acompanhamento

Cerca de 6 mil idosos estão em acompanhamento pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho, segundo a assessora da Proteção Social Básica Letícia Alves Carvalho. Na cidade, há cinco unidades da rede Crescer Conviver, onde são ofertadas atividades esportivas, artísticas, e acompanhamento psicossocial. “O serviço é destinado a pessoas que tenham mais 60 anos e renda familiar de até três salários-mínimos”, afirmou Letícia Carvalho.


Também está entre as atividades ofertadas o programa Trilha da Longevidade, que consiste na realização de viagens gratuitas para cidades da região. Para os idosos com mais de 65 anos, há ainda a carteirinha que garante gratuidade nas viagens intermunicipais.

Quanto à assistência e à moradia, Uberlândia conta com um centro residencial localizado no bairro Guarani, zona norte, conhecido como Condomínio do Idoso. Atualmente, 34 idosos residem gratuitamente no local. Para as famílias que não têm condições de cuidar dos idosos durante o dia, existe na cidade o Centro de Permanência Dia, na avenida Rondon Pacheco, onde os idosos com grau de dependência 1 e 2 podem permanecer das 7h às 17h. “Hoje, ele funciona com a quantidade máxima de atendimento, que é de 25 pessoas. Está em análise a perspectiva de ampliação desse serviço”, afirmou Letícia Carvalho.

Ainda conforme a assessora, com o aumento da participação de idosos na população projetada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a cidade deve considerar a ampliação dos serviços já ofertados e não necessariamente a criação de novas frentes. “Em âmbito de políticas sociais, nós já ofertamos todos os serviços que são preconizados pela PNAS [Política Nacional de Assistência Social]. Então a necessidade maior no futuro seria a de ampliação de vagas.”

País não está preparado, diz diretor

“O Brasil como um todo ainda não está preparado para atender a quantidade de idosos que temos e os que ainda vamos ter.” Esse é o entendimento do diretor presidente do Conselho Municipal do Idoso, José Flávio Viana Guimarães, que destaca a saúde como um dos aspectos de maior impacto dessa questão. “A saúde representa maior demanda da população idosa, e é preciso articular um conjunto de ações para que se dê maior ênfase na prevenção, que é inclusive mais barata”, afirmou.

Segundo Guimarães, o Conselho do Idoso tem trabalhado com quatro vertentes estratégicas, que são acessibilidade, mobilidade, cuidado em saúde e política de enfrentamento a violência. “Ainda temos muito que avançar em todos os aspectos, principalmente na assistência prioritária na saúde”, disse.
Guimarães aponta ainda que os idosos são alvo de violência e abuso, frequentemente dentro de casa.

“Muitas vezes, ainda é explorado pela própria família e não quer denunciar”, disse, referindo-se aos casos em que familiares aproveitam das facilidades de empréstimo financeiro concedido a aposentados. “Além disso, ainda existe muita exclusão do idoso da vida social. Não são todas as pessoas que tratam bem e fazem questão de incluir os idosos.”

Rede oferece prevenção de quedas

Na Coordenação em Saúde do Idoso, da Secretaria Municipal de Saúde, há três principais perspectivas de ação para atender a uma população que tende a ter cada vez mais idosos. “Estamos tentando capacitar a rede para o idoso”, afirmou Analice Neres de Almeida Oliveira, diretora de redes de atenção à saúde. Segundo ela, o primeiro passo é a ampliação da prevenção de quedas, seguida da implantação da tutoria com cobertura de geriatria para apoio às equipes da saúde da família e da construção de um ambulatório para o idoso frágil.

“Atualmente, temos a unidade do Jardim Brasília II como modelo na prevenção de quedas, com equipe de médicos, fisioterapeutas e educadores físicos. Passado esse momento de avaliação do modelo, a intenção é que a maioria das unidades estejam com esse trabalho”, disse Analice Oliveira, ressaltando que as fraturas são fatores graves de deterioração da saúde dos idosos.

Ela aponta ainda a importância e um acompanhamento em longo prazo no cuidado com os idosos. “A secretaria entende que é preciso reforçar a atenção básica e investir em prevenção para que aconteça um envelhecimento saudável. Para isso, é preciso também que as pessoas se conscientizem que é preciso cuidar dos idosos, que isso pode ser feito de forma mais natural, com planejamento e envolvimento da família.”

Povo fala – Você considera Uberlândia uma cidade boa para os idosos?

“É uma cidade boa sim. Tem boas praças e clubes, onde se pode interagir com outras pessoas. A questão da segurança preocupa, mas sei que isso é um problema em todo lugar.”

Darly Nogueira Terra, aposentado, 89 anos

“Não acho que seja muito boa. O idoso é muito desvalorizado, principalmente na saúde. É comum eu não conseguir os remédios que preciso nas UAIs ou nos postinhos.”

Maria Aparecida Silva, aposentada, 76 anos

“Para mim, está melhor do que quando eu tinha 20 anos. Sou otimista, acho que é daqui para melhor. A cidade tem muitas opções de lazer para os idosos. Só a saúde que é mais difícil.”

Vicente de Paula Oliveira, vigilante, 62 anos

“É uma cidade boa. Não frequento os serviços da Prefeitura, mas sei que são oferecidas atividades em diversas áreas. E na rua e no supermercado sempre encontro alguém para me ajudar.”

Maria José Neves Tavares, aposentada, 82 anos

Números

Idosos em Uberlândia / Idosos no Brasil

2010
61,6 mil / 19,6 milhões

2015
82,7 mil / 24,3 milhões

2050
388 mil* / 69,8 milhões

Expectativa de vida
Nascido em 1965: 55 anos
Nascido em 2015: 75 anos

Expectativa de vida para quem tem 60 anos hoje
83 anos para mulher | 80 amos para homem

*O número de idosos representa 30% da população projetada para 2050. Caso a taxa de crescimento da população de Uberlândia se mantenha como a registrada entre os anos de 2010 e 2015, em 2050 a cidade terá 1,294 milhão de habitantes.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/participacao-de-idosos-na-populacao-deve-dobrar-ate-2050/

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